Todos os anos é a mesma coisa. Tocou no assunto, meu Deus! Alguns viram os olhos, outros ficam constrangidos e mais alguns saem de perto. “Mas qual é o problema?” pensamos ao assistir as reações exageradas. “É medo.”

Com todo esforço e cálculos dignos de verdadeiros mestres do marketing e propaganda, médicos e especialistas, procuram anualmente uma forma eficaz de convencer a “tropa” a deixarem o preconceito de lado e realizarem os exames preventivos necessários. Mas é difícil.

Calma! Não é só você. Todo esse medo e desconforto é totalmente compreensível. Estamos falando de uma parte bastante pessoal e é comum agirmos com discrição quando o assunto se trata de algo semelhante. Contudo, precisamos bater um papo.

No Brasil, 1 a cada 36 homens são diagnosticados com câncer de próstata. A nível nacional os números são ainda maiores, 61 mil casos são descobertos por ano e quase 50% dos homens brasileiros nunca se consultaram.

 

Infelizmente ainda é comum o preconceito sobre o exame utilizado para a detecção da doença – o tão temido exame de toque. O medo combinado com a falta de informação transformam o assunto em um verdadeiro tabu entre os homens. Pensando nisso, o slogan da campanha do Novembro Azul desse ano, a favor da prevenção do câncer de próstata, é “O preconceito mata”.

“Quanto mais cedo a doença for descoberta, maiores são as possibilidades de vencê-la. Dê esse toque de coragem em favor da vida de quem você ama e se preocupa”. Incentiva o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) junto com o governo do Estado de São Paulo este ano.

“O tumor do câncer da próstata cresce devagar e a sua detecção precoce abre uma janela muito boa para a recuperação do paciente”, diz o médico urologista, Giuliano Betono Gugliemetti, do ICESP. “Se o tratamento acontecer em sua fase inicial as chances de cura são muito maiores. Hoje, nós temos à disposição muitos tipos de tratamento como a radioterapia, a quimioterapia e outros que estão surgindo. Mas se o diagnóstico for muito tardio as chances de recuperação são muito pequenas”, afirma.

 

 

“Como o exame funciona?”, “Por que o toque é necessário?”

 

São várias perguntas e todas elas são importantes. A próstata é uma glândula masculina que possui o formato de uma noz e está localizado abaixo da bexiga e à frente do reto. O câncer surge quando algumas células, durante o funcionamento da próstata, se desenvolvem e se multiplicam de forma anormal. Opa! Mas como vou identificar isso?

Em alguns casos, os sintomas são parecidos com os do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite). Na fase mais avançada, o paciente pode ter dores nos ossos, sintomas urinários como urina com sangue ou, nos casos mais graves, infecção generalizada ou insuficiência renal.

Percebendo esses sintomas e entrando em contato com o seu médico, o próximo passo são os exames. A doença pode ser identificada com a combinação de dois:

  • Dosagem de PSA: exame de sangue que avalia a quantidade do antígeno prostático específico;
  • Toque renal: como a glândula fica em frente ao reto, o exame permite ao médico perceber se há nódulos (caroços) ou qualquer outro mal funcionamento.

“O toque retal é um procedimento rápido, que dura segundos, é praticamente indolor e não afeta em nada a masculinidade do homem.” Explica o oncologista Luciano Paladini, do centro Evidências. E por que ele é necessário?

O toque retal e a dosagem do PSA servem para indicar a necessidade da biópsia da próstata (retirada e análise de fragmentos da glândula e única forma de confirmar uma suspeita de câncer). A realização de exames é recomendada quando há presença de sinais e sintomas, conforme preconiza o Ministério da Saúde.