Documento do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviado em agosto ao Superior Tribunal Tribunal de Justiça (STJ), aponta que a Polícia Civil desprezou dados sobre cinco execuções de moradores de rua assumidas na semana passada pelo vigilante Tiago Henrique de Gomes Rocha, de 26 anos, que poderiam ter dado outro rumo às investigações dos crimes, que ocorreram entre o final de 2012 e começo de 2013. Desde março, a polícia tinha em mãos laudos de exame microbalístico concluindo que uma mesma arma foi usada para matar as cinco vítimas. O relatório do procurador-geral também mostra que outra pessoa, identificada como João Paulo Vieira dos Santos, foi denunciada por um dos homicídios e as investigações policiais praticamente paralisaram depois dos crimes.

As informações sobre as mortes de moradores de rua constam da manifestação final de Janot, que insiste na federalização de oito ações penais e inquéritos policiais referentes a casos de desaparecimentos forçados, tortura e homicídios, entre 2003 e 2010. O pedido é analisado pelo ministro Jorge Mussi, do STJ, e não inclui os cinco assassinatos. Na peça, a qual O POPULAR teve acesso com exclusividade, conforme divulgado na edição de 31 de agosto, o procurador-geral da República fez duras críticas à atuação da Polícia Civil e a política de segurança pública no Estado.

Levantamento feito pelo jornal O POPULAR, com base em reportagens já divulgadas e em documentos da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), mostra que as mortes dos cinco moradores de rua executados com a mesma arma chamaram a atenção do procurador-geral, antes mesmo de Tiago Henrique ser preso e assumir a autoria dos crimes. Em sua manifestação-final, Janot destacou os nomes deles: Marcos Aurélio Nunes da Cruz, Paulo Sérgio Xavier Bastos, Thiago Fernandes de Carvalho Machado, Michel Luiz Ferreira da Silva e Wesley Alves Guimarães.

Só de considerar apenas as diligências feitas pelo juiz Paulo Marcos de Farias, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), como divulgou O POPULAR em 8 de maio deste ano, o procurador-geral da República observou, no documento, que as mortes têm “pontos de conexão para uma análise conjunta.” Ele destacou que as cinco vítimas, aparentemente usuárias de drogas, viviam nas ruas e foram mortas com arma de fogo.

Fonte: O Popular